Ferramentas de Design Thinking ou postura de “design thinker”: o que vai salvar a sua empresa?

08/11/2017

Ferramentas de Design Thinking ou postura de “design thinker”: o que vai salvar a sua empresa?

Trabalho já há alguns anos com a famigerada “inovação”, desenvolvendo serviços e produtos como consultora, professora e especialista em grandes empresas. Apesar da grande quantidade de conteúdo disponível sobre o tema, venho me deparando ainda com uma certa dificuldade por parte do chamado mercado de entender o que significa trabalhar com inovação. Nos próximos artigos​ ​debateremos​ ​sobre​ ​esse​ ​tema.

Como todas as novas teorias, sejam elas científicas, médicas ou socioeconômicas, as teorias de inovação também chegam no mercado após uma profunda discussão acadêmica no berço que as produziu, e.g. Harvard, Stanford, London, para depois chegar ​e se multiplicar nas turmas de MBAs,​ ​graduações,​ ​cursos​ ​técnicos,​ ​consultorias,​ ​entre​ ​outros.

Contudo, para que estas mesmas teorias se transformem em práticas de mercado é necessário que as​ ​empresas​ ​assumam​ ​um​ ​papel​ ​protagonista​ ​e​ ​isso​ ​normalmente​ ​acontece​ ​nos​ ​seguintes​ ​passos:

– entendimento do assunto: a nova teoria sai do nicho onde nasceu e, depois de passar por processos​ ​de​ ​simplificação,​ ​é​ ​divulgada​ ​e​ ​popularizada​ ​para​ ​o​ ​grande​ ​público

– entendimento dos contextos de uso da nova teoria: a teoria simplificada chega em uma empresa trazendo um ponto de vista diferente para a resolução de determinados problemas

– aplicação da teoria: a empresa desenvolve um projeto baseado na aplicação profissional da​ ​teoria

– case study: o êxito positivo da aplicação da teoria é imortalizado, a teoria tem argumentações​ ​para​ ​a​ ​sua​ ​aplicação​ ​profissional​ ​e​ ​vira​ ​prática​ ​de​ ​mercado.

Com relação aos primeiros passos e considerando seu papel de democratização das teorias, é importante observar a relevância da simplificação e as inúmeras vantagens que ela traz na absorção de novos conteúdos. Graças à web 2.0, com suas wikis, folksonomias, redes sociais, blogs e canais de content sharing, hoje nós não precisamos mais ser cientistas nucleares para entender o que é um acelerador de partículas: basta abrirmos o Youtube ou a Wikipedia e procurar o assunto. Obviamente ao fazermos isso (façam a experiência se puderem) conseguiremos um entendimento geral, com um custo de possíveis distorções ou perdas de conteúdo.

Em termos de inovação, mesmo que a adoção de um teoria seja definida pela camada managerial de uma grande empresa ou pelo dono de uma PME, a simplificação também representa o primeiro passo para aproximação da empresa ao novo conceito, e é por esta razão que a teoria precisa​ ​se​ ​mostrar​ ​relevante,​ ​breve​ ​e​ ​auto​ ​explicativa.

Querem ver como isso pode acontecer ou já acontece no seu dia a dia? Imaginem levar um livro sobre “Teoria da Abundância” ou “Inovação Aberta” – duas das mais relevantes teorias sobre inovação dos últimos 15 anos – para o seu gerente, sua diretora ou colega propondo de realizar um novo projeto relacionado ao um dos dois assuntos. Quanto tempo vocês acham que ele/ela irá demorar​ ​na​ ​leitura​ ​do​ ​livro​ ​e​ ​dar​ ​sua​ ​opinião​ ​sobre?​ ​Ou​ ​então,​ ​acreditam​ ​que​ ​irá​ ​ler​ ​o​ ​livro? Pois é. Super estimulados e sem tempo, com acesso a informação 24 horas por dia, conectados a plataformas de share content, todos nós – gestores, empreendedores, consultores, alunos apreciaríamos​ ​um​ ​resumo​ ​da​ ​teoria​ ​apresentada.

A​ ​questão​ ​da​ ​simplificação​ ​portanto​ ​não​ ​é​ ​mais​ ​se​ ​ela​ ​facilita​ ​ou​ ​não​ ​a​ ​absorção​ ​de novos​ ​conteúdos​ ​pelo​ ​mercado,​ ​mas​ ​sim​ ​se​ ​ela​ ​é​ ​fiel​ ​à​ ​fonte​ ​original,​ ​se​ ​garante​ ​a transmissão​ ​correta​ ​dos​ ​ensinamentos​ ​e​ ​se​ ​é​ ​devidamente​ ​representada​ ​pelos especialistas​ ​que​ ​a​ ​praticam.

Com relação à inovação que envolve a criação de novos negócios, serviços ou produtos, o processo de simplificação contribui para a difusão do conhecimento em pílulas – sendo a mais conhecida,​ ​o​ ​famoso​ ​Design​ ​Thinking.

Após seu reconhecimento pelo mundo empresarial (etapa case study) a inovação ficou atrelada ao conceito de Design Thinking e ele passou a ser entendido pelo mercado apenas como um conjunto de ferramentas e processos úteis para reenquadrar problemas, propor e testar novas ideias. Nos últimos 30 anos, ele ganhou força em várias publicações do mercado por sua relevância em cases internacionais*, mas seus alicerces vem da arquitetura e da discussão do design colaborativo nos anos 60, passando por vários autores e países diferentes (Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Alemanha, Escandinávia). Sua importância não consiste apenas na produtização do conceito em 4 etapas, mas em ser um processo facilmente compreensível e humanizado,​ ​derivado​ ​de​ ​uma​ ​ação​ ​mais​ ​abrangente,​ ou​ ​seja,​ ​​pensar como designer.

Profissionalmente, sempre gosto de apresentar algumas definições do termo ​design para estimular a reflexão e alinhar expectativas, pois trabalhar com inovação excede a repetição de receitas​ ​prontas.

O​ ​termo​ ​​design ​vem​ ​do​ ​inglês​ ​e​ ​tem​ ​como​ ​base​ ​o​ ​latim​ ​​designare, significando​ ​desenvolver,​ ​conceber​ ​(​de​​ ​+​ ​​signum​​ ​marca,​ ​sinal)

Pensar como um ​designer significa desenvolver projetos como um ​designer, ou seja, como um “projetista”, praticando formas diferentes de olhar para um problema e construir uma variedade de​ ​soluções​ ​diferentes,​ ​evidenciando​ ​novas​ ​oportunidades.

Existe então uma diferença significativa entre esta visão de ​design thinking como mindset de inovação e a simplificação do mercado que o reduz para módulos e produtiza sua teoria em “toolkits​ ​rápidos​ ​de​ ​Design​ ​Thinking”.

Trabalhar com a postura de ​designer direciona à criação de equipes multidisciplinares para olhar o problema por ângulos diferentes e trabalhar sua solução através das habilidades da equipe. Por esta razão ​design thinking é um modelo mental de natureza colaborativa com visão sistêmica e que​ ​acredita​ ​que​ ​erros​ ​são​ ​parte​ ​importante​ ​do​ ​processo​ ​para​ ​chegar​ ​a​ ​soluções​ ​criativas

A lente do​ design é usada hoje como meio para criação de soluções novadoras para empresas de vários portes. Contudo, esta abordagem precisa de investimento por parte de gestores e consultores, dedicação de recursos humanos e financeiros, respeito e atenção, como qualquer outro​ ​processo​ ​mais​ ​tradicional.

Mesmo​ ​sendo​ ​um​ ​processo​ ​criativo,​ ​a​ ​inovação​ ​pela​ ​lente​ ​do​ ​​design ​requer​ ​a devida​ ​seriedade​ ​e​ ​investimento.

Quero convidá-los a uma pequena reflexão: não façam um curso de 3 dias de Design Thinking pensando que a inovação começará a acontecer, surgir magicamente nas suas empresas. Façam um curso de Design Thinking para se aproximar do assunto, ganhar um entendimento mais amplo dos processos a serem mudados e descobrir oportunidades ainda não reveladas. Façam esses cursos para estimular ambientes que permitam a proliferação de ideias inovadoras, a descentralização​ ​das​ ​decisões,​ ​o​ ​engajamento​ ​das​ ​suas​ ​equipes​ ​e​ ​o​ ​trabalho​ ​colaborativo.

Depois disso, procurem realmente atuar com a postura do ​designer: deixem de lado suas“colas” e​ ​pílulas​ ​de​ ​conhecimento​ ​e…​ ​pratiquem,​ ​pratiquem​ ​e​ ​pratiquem.

*Entre​ ​as​ ​revistas​ ​que​ ​tornaram​ ​popular​ ​o​ ​​design thinking:​ ​Forbes,​ ​Harvard​ ​Business​ ​Review,​ ​Fast​ ​Company.

(Clara Bidorini, 2017)

Clara Bidorini é Business e Service Designer, professora, coach profissional, presta consultoria em estrategia e inovação para startups e grandes empresas. Quer entrar em contato com a Clara? Clique aqui.

Curadoria de Conteúdo: Ana Paula P. Candeloro

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